O assunto que tomou conta do mundo nesses últimos dias foi ele, o pré-sal. Pré-sal é a denominação utilizada para reservas petrolíferas encontradas abaixo de uma profunda camada de sal no subsolo marítimo. A foi descoberta a existência de uma faixa que se estende ao longo de 800 km entre os Estados do Espírito Santo e Santa Catarina, abaixo do leito do mar, e engloba três bacias sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos). O petróleo encontrado nesta área está a profundidades que superam os 7 mil metros, abaixo de uma extensa camada de sal que, segundo geólogos, conservam a qualidade do petróleo.Vários campos e poços de petróleo já foram descobertos no pré-sal, entre eles o de Tupi, o principal. Um comunicado, em novembro do ano passado, de que Tupi tem reservas gigantes, fez com que os olhos do mundo se voltassem para o Brasil e ampliassem o debate acerca da camada pré-sal. À época do anúncio, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) chegou a dizer que o Brasil tem condições de se tornar exportador de petróleo com esse óleo. Estimativas afirmam que Tupi tem uma reserva estimada pela Petrobras entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo, sendo considerado uma das maiores descobertas do mundo dos últimos sete anos. No total, dados apontam que a camada pode abrigar algo próximo de 100 bilhões de barris de óleo, o que colocaria o Brasil entre os dez maiores produtores do mundo.Em contra-partida, tanta riqueza tem um preço para ser tirada: a natureza. Segundo o Greenpeace, a grande preocupação é sobre o que fazer com as emissões de carbono geradas pela exploração dos novos poços. Se a bacia for explorada sem o cuidado com o CO2, cálculos do Greenpeace mostram que o Brasil estará emitindo ao longo dos próximos 40 anos em torno de 1,3 bilhão de toneladas de CO2 por ano só com refino, abastecimento e queima de petróleo.“Ainda que o desmatamento da Amazônia seja zerado nos próximos anos, tudo indica que as emissões decorrentes do pré-sal podem anular o seu impacto positivo e manter o Brasil entre os três maiores emissores de CO2 do mundo”, alerta Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Energia do Greenpeace.E em relação a alternativa de jogar esse gás nos oceanos Leandra Gonçalves, coordenadora da Campanha de Oceanos do Greenpeace, afirma: “Os oceanos são um importante regulador climático, eles funcionam como o maior sumidouro de carbono do planeta, com capacidade para absorver até 50% das emissões geradas pela atividade humana.”Concentrações excessivas de CO2 provocam acidificação nos oceanos, comprometendo a saúde dos corais, berços importantes da biodiversidade marinha. “O aumento das emissões tem efeito nocivo nos mares, porque elas contribuem para o aumento médio da temperatura da água. Mares mais quentes têm menos capacidade de absorção de CO2”, continua Gonçalves.
Maiara Dornelles
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