17 maio 2009

Entenda Por Que o Mundo está em Crise

Nos anos 90, diversos americanos compraram imóveis, que poderiam ser financiados em 30 anos. Na década seguinte, tais imóveis já valiam cerca de 10 a 12 vezes mais.
A partir de 2001, sob o comando de Allan Greenspan, o Federal Reserve, banco central americano, iniciou uma jornada de corte nas taxas de juros de 6% para 1% ao ano, em apenas 24 meses, com o intuito de estimular a economia.O dinheiro fácil inundou o mercado. Os americanos, vendo que seus imóveis não paravam de se valorizar, financiavam outros, emprestando dinheiro a juros baixos, sem critérios, sem garantias, com base em inovações do mercado financeiro.

Origem da Crise
Os imóveis valorizavam-se cada vez mais e o negócio era refinanciar a própria casa, usar o dinheiro para comprar outras revendê-las com lucro. Parecia ser um negócio fácil e os americanos entraram num clima de extrema euforia.
Os bancos não assumiram o risco do crédito fácil sozinhos. Wall Street aprendeu a empacotar hipotecas e outros débitos dos consumidores em títulos vendidos no mercado financeiro como papéis de primeira linha. Com isso, os bancos repassavam as dívidas para outros, pulverizando-as. Tal operação é denominada Securitização.
Mas a criação de produtos do mercado baseada nas dívidas de milhões de americanos não paravam aí. Os bancos de investimentos criaram derivativos dos produtos.
Como diz o nome, um derivativo é um produto que deriva de um outro ativo e que permite ganhos a partir de um montante que não se tem.
Tal processo é também conhecido com "alavancagem", pois a intenção é ganhar mais utilizando a mesma quantidade de dinheiro.
Com isso, em meio a um clima de prosperidade sem fim, era possível alavancar 40 vezes cada nota de US$ 1 de capital em seu património.
A suposição naquele momento em que a economia parecia sólida é que o investimento iria dar certo e render tamanho lucro que seria possível pagar todas as dívidas no meio do caminho, honrar todos os compromissos e ainda colocar um bom dinheiro no bolso, com um investimento menor.
Quando a economia cresce, essa ciranda solidária multiplica receitas e ganhos entre clientes, instituições e países. Na hora do desastre, ocorre a desalavancagem: não há dinheiro para pagar a todos, os custos da operação de se multiplicam pelo mesmo número e só há dinheiro de papel para pagar a imensa conta em moeda real.

EUA
Só que euforia que inundava o mercado estava com seus dias contados. Muito dinheiro foi emprestado a uma parte da população que não teria como pagar, os famosos "Subprimes".
Com a queda no preço dos imóveis, as garantias sobre os empréstimos diminuíram e os devedores foram chamados a depositar mais garantias, enquanto isso os derivativos desses créditos já circulavam por todo o mercado. Inadimplência Aumenta e Causa Prejuízos aos Bancos. Com a falta de pagamento e falência de devedores, os títulos das dívidas que já estavam espalhados por todo mercado viraram "pó". As casas foram retiradas de seus antigos proprietários e vendidas a mercado, pressionando os preços para baixo e levando ao ciclo de prejuízos e falências bancárias.

Crise de confiança - Quem não tem $ não empresta!
Com o mercado bancário inundado de "títulos podres" e os bancos começando a reportar altos prejuízos, houve uma desconfiança do setor financeiro dos próprios bancos. Quem tem dinheiro não empresta, pois não se sabe a condição do banco ao lado. Os canais de crédito entre bancos foram cortados e houve o que chamamos de "empossamento de liquidez".

Crise de confiança – Bancos começam a quebrar por falta de liquidez
Sem crédito, os "buracos" dos bancos começaram a aparecer.

FED* (BC americano) socorre os bancos! Alguns deles quebraram, foram comprados, foram ajudados pelo FED ou as três alternativas anteriores. Para não deixar que o sistema entrasse em colapso o FED continuou a irrigar o mercado empréstimos para o setor bancário. Mesmo assim não foi suficiente e o mercado de crédito bancário nos EUA continua apertado.
O Mundo
Crise de confiança – espalhando pelo mundo.
O mercado bancário dinâmico e interligado propagou esta crise de confiança pelo mundo todo.Os grandes bancos negociam entre si independente dos países que suas matrizes estão localizadas.
Fruto da globalização, os bancos do mundo inteiro foram alvo da desconfiança do próprio mercado bancário!
Países desenvolvidos foram primeiramente afetados pela crise.
Países emergentes não tinham tanta familiaridade com a securitização de crédito e, portanto, não alavancaram como os países desenvolvidos.

Brasil
Crise chega nas empresas e nos bancos médios.

No Brasil a crise chegou primeiramente nas empresas de médio porte, pois na restrição de crédito de fora os bancos nacionais começaram a reduzir também a oferta de crédito ao mercado.

Crise chega as empresas e bancos médios
Além disso, com a forte oscilação de mercado, empresas foram pegas de surpresa com posições na contra mão da alta do dólar.
Desde 2003 o dólar se desvaloriza perante ao Real, mas com a crise de confiança houve uma forte corrida para o dólar, fazendo com que a moeda se apreciasse rapidamente. Empresas que não tinham a menor finalidade de "trading" foram pegas com grandes posições no mercado futuro e de opções de dólar, causando enormes prejuízos.
Não se sabe ainda ao certo quantas empresas está expostas no câmbio e no mercado, portanto não se sabe ainda qual será o prejuízo causado por essa mudança tão rápida dos patamares do mercado. E agora?
Expectativa:Na expectativa de retração econômica mundial, novos prejuízos de bancos e empresas, o mercado financeiro vive um momento de aversão a risco:
- Saída das bolsas;
- Migração para moeda forte (Dólar);
- Compra de ouro.
Cautela: No momento atual, a incerteza está gerando altos níveis de volatilidade portando o mais indicado é cautela, ficando fora de alavancagens e operações com derivativos.
Oportunidades:O Ibovespa acumulou forte queda desde o seu pico de 74.000 pontos no dia 29/maio/2008 e sem dúvida existem boas, as oportunidades, sem alavancagens, devem ser procuradas seguindo alguns critérios.
Longo Prazo:
-Empresas com baixa alavancagem (dívida) ou perfil de dívida adequado;
-Empresas que não precisam de caixa e capital de giro no curto prazo;
- Empresas que não dependem de commodities como petróleo, minério etc...


Conclusão:
Oportunidades: Sectores que tendem a se beneficiar:
Utilidade Pública:
- Energia;
- Saneamento;
-Estas empresas em geral possuem forte geração de caixa, baixo investimento, e consequentemente paga bons dividendos.
Exportadoras:
-Devido ao cambio apreciado.
Bancos de Varejo:
-Consolidação dos Bancos menores;
-Redução de compulsório
- Empresas que não precisam de caixa e capital de giro no curto prazo;
- Mas atenção no curto prazo pois ainda podem tomar prejuízos.

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